A contribuição de Ricouer para Dussel
em sua Filosofia da Linguagem libertacionista
LUCELIA NOVAES LIMA
Discente do curso de licenciatura em Filosofia (UESB)
A linguagem constitui o lugar por excelência do humano. Desde Aristóteles, o ser humano é compreendido como zoónlógonéchon: um ser vivente dotado de logos.Essa definição marca a diferença ontológica entre o vivente e o ser que, por meio da linguagem, é capaz de autocompreensão, deliberação e comunicação. A partir dessa herança filosófica, Paul Ricoeur define o papel da linguagem como estrutura mediadora entre o sujeito e o mundo, acentuando a sua dimensão hermenêutica e a sua função metafórica. Para o filósofo francês, é através da linguagem queo mundo é articulado pelo homem, pois é através do seu discurso que ele se instaura comofalante e narrativo. É nesse contexto que sua teoria da metáfora viva revela a potência criadora da linguagem em face da carência semântica, abrindo assim, espaço para novas significações e horizontes de compreensão.
Outra forma de compreender o papel da linguagem é pensá-la a partiratravés daFilosofia da libertação, proposta por Enrique Dussel.Neste caso outra seria sua origem: ela emerge da urgência ético-política da América Latina. Sua hermenêutica parte de um lugar outro, qual seja, o das vítimas do sistema, os excluídos da história oficial. Ao tomar a linguagem como campo de disputa, Dussel reconhece que a interpretação do mundo – e, portanto, da linguagem – não é neutra, mas marcada por relações de dominação. Nesse sentido, a contribuição de Ricoeur, ao pensar a linguagem como campo de criação e de reconfiguração dosentido, oferece ferramentas importantes para que a Filosofia da libertação vá além e questione os discursos dominantes e proponha novas formas de narrar, a partir da exterioridade...
