O fogo eterno das ideias de Zenão funda o estoicismo
Zalboeno Lins
Doutorando | Filosofia
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)
Introdução
Sabemos muito pouco da biografia de Zenão de Cício. O que nos resta são relatos fragmentados de historiadores e doxógrafos – que não dão conta de toda extensão de sua produção filosófica. Mas, admite-se, por outro lado, que sua herança de ancestralidade fenícia está plasmada e se reflete em sua filosofia. Afinal, como sabemos, não é possível se apartar e se blindar do contexto histórico-político-cultural.
Como ponto de partida, neste artigo, pretendemos fazer um breve recorte sobre a exposição e os ensinamentos filosóficos da Física de Zenão para nossos dias e a partir do entendimento desses princípios. Em um segundo momento, vamos estabelecer uma articulação com questões primordiais do filósofo pela busca de uma explicação de um princípio fundante - a arkhé (αρχή) da natureza (physis) - o qual é atravessado por questões éticas, políticas e de sacralidade, como veremos na parte seguinte. E um terceiro momento, apresentaremos alguns princípios que podem ecoar saberes ancestrais, de outras culturas, uma vez que Zenão tinha origem fenícia (um não grego ou um bárbaro, para usar termos helenísticos).
