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Artes da existência e cuidado de si:
A problematização do uso dos prazeres em Michel Foucault

Kleyde Jomara Lessa Vilasbôas
Docente - UEFS
Doutoranda em Filosofia - UNISINOS

 Introdução
O exercício filosófico de Michel Foucault, como um dos pensadores que mais contribuiu para os variados campos de conhecimento, aventura-se na captura e compreensão dos processos que constituem as práticas sociais, que tem como consequência a criação dos sujeitos e a manutenção das instituições, sob a égide da gestão e do controle, nas suas variadas vertentes. Significa dizer que suas construções teóricas não se dirigem a uma dimensão meramente racionalista, ancorada no plano da intelecção ou mesmo da plausibilidade lógica. Ultrapassando este limite, na derradeira fase de suas investigações, suas análises realizam uma imersão na história do mundo ético, do agir humano, da concretude histórica, contingencial, descontínua e dispersa, procurando entender o papel dos discursos, dos dispositivos, de certos jogos estratégicos das variadas instituições, que legitimam o poder e acionam efeitos de sentido e verdade nas diferentes práticas sociais. Na esteira de seu pensamento, tais instituiçoes funcionam, portanto, como ferramentas a serviço dos variados processos de subjetivação, que se desdobram das práticas dessas subjetividades, ou seja, das práticas de si.
Investido de sua perspectiva genealógica, Foucault rejeitava a compreensão dos objetos de análise, a partir de qualquer relação causal ou linear, encarados na ordem de uma origem ou mesmo no sentido de evolução, passando, assim a estabelecer a problematização acerca das práticas de poder, de subjetivação e práticas discursivas que passam a construir um modo de ser, pensar, agir e sentir, próprios de uma época.
Nesse sentido, a problematização ética do cuidado de si, do uso dos prazeres, busca analisar as práticas do indivíduo consigo mesmo e que o constituem como sujeito, isto é, objetiva buscar essa gênese do homem de desejo no período que começa na...

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