Sustentabilidade,
sociedade e educação, como integrá-los.
Por Andréia Carvalho Ferreira
Advogada e graduanda
em Pedagogia (UNISANTOS)
Atualmente a
educação tem por objetivo desenvolver na criança a capacidade resolver
problemas, por meio da aplicação dos conteúdos aprendidos e esse processo é
mediado pelo professor. Alem de aprender
conceitos, na escola a criança aprende a ser cidadã.
Não podemos deixar de trabalhar a educação para a sustentabilidade junto com as
crianças. O desenvolvimento sustentável deve ser estimulado na formação delas.
O significado de desenvolvimento não deve passar pela idéia de que o progresso
chega quando o homem “domina” a natureza, mas que o homem pode conviver com a
natureza.
Não basta esta
idéia aparecer em discursos sem significado, na rotina escolar desde a
separação de embalagens na hora do lanche e na elaboração de materiais
pedagógicos devemos nos posicionar de forma consciente.
A
sustentabilidade é meta difícil, porém não impossível de se atingir.
“... é o grande desafio do nosso tempo: criar comunidades
sustentáveis – isto é,
ambientes sociais e culturais onde podemos satisfazer as nossas necessidades e
aspirações sem diminuir as chances das gerações futuras”
CAPRA ( 1996) p.24.
Fritjof Capra criou a conceito de Eco-alfabetização que para ele é o primeiro
passo na estrada da sustentabilidade. O segundo passo é movimentar-se da eco-alfabetização para o eco-planejamento. Depois a
sociedade organiza
seu conhecimento ecológico para o replanejamento
fundamental das nossas tecnologias e instituições sociais, de modo a estabelecermos
uma ponte entre o planejamento humano e os sistemas ecologicamente sustentáveis
da Natureza.
Este conceito de
Capra aproxima-se com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygostky. Pois a escola influencia e ensina o individuo ações
que ele aprimora ao aplicar em seu convívio social.
Os jogos e a ludicidade
Para Friedmann (1996) brincadeira
refere-se ao comportamento espontâneo ao realizar uma atividade das mais
diversas. O jogo é uma
brincadeira que envolve certas regras, estipuladas pelos próprios
participantes. E o brinquedo é
identificado como o objeto de brincadeira. A atividade lúdica compreende todos os conceitos anteriores.
Portanto, é importante que todo profissional de educação tenha claro todos
estes conceitos para que estes estejam presentes nas escolas. O brincar não é
mais uma atividade de mera recreação, diante de estudos e pesquisas comprovam que esta
ação desenvolve habilidades: emocionais, cognitivas, perceptivas e motoras. O
contexto em que a criança é inserida, as dificuldades e potencialidades que
apresenta devem ser levadas em conta no momento em que o educador seleciona o
jogo e a brincadeira que irá trabalhar.
"a
interpretação do significado do brinquedo não pode ser
compreendido sem fazer referência aos contextos nos quais ele é encontrado".
FRIEDMANN (1996) p.18.
Visto também a
importância da reflexão e adaptação ao meio social, a mediação consciente do
educador a fim de propor interações práticas que resultem em mudanças possíveis
estruturadas no seu dinamismo concebido a partir de sua prática.
A Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky
“...brincar não é o aspecto predominante da infância, mas é um fator primordial
no desenvolvimento”. VYGOTSKY (1978) p.101
Vygotsky, atribuía ao brincar um
lugar de suma importância em sua teoria do desenvolvimento. Para ele, brincar é
algo que interessa à atividade revolucionária, ou seja, a criação de significado
e a aprendizagem conduzindo o desenvolvimento na Zona de Desenvolvimento
Proximal. Outros pesquisadores do brincar e especialistas em primeira infância
acreditam que a brincadeira é importante para o desenvolvimento e identificam
tipicamente as seguintes características como contribuidoras
para o desenvolvimento cognitivo e social em particular, ou seja:
a)
ao brincar, as crianças suspendem as coerções da realidade;
b) por meio da brincadeira, as
crianças aprendem as normas sociais;
c) o brincar é governado por
regras.
O conceito brincar está associado a um grande número de outros conceitos e
atividades: jogos, imaginação, fantasia, representação simbólica, faz-de-conta,
encenação, prazer e divertimento. Pelo menos três significados de brincar são importantes para a discussão
do papel da brincadeira no desenvolvimento: brincar como brincadeira livre, as
atividades de faz-de-conta e fantasia da primeira infância; brincar como jogos,
as atividades mais estruturadas, explicitamente governadas por regras que se
tornam onipresentes nos anos escolares e são a forma dominante de como os
adultos brincam; e o sentido do verbo inglês to play como encenação ou desempenho teatral, também comum na
primeira infância, mas que se torna mais exclusivo e
formalizado na fase adulta.
Somente os dois primeiros tipos de brincadeira, brincadeira livre e
jogos têm sido examinados por alguns estudiosos como psicólogos e psicanalistas
como fatores relevantes no desenvolvimento.
Vygotsky reconhece como importante e primordial os três sentidos de brincar. Em
suas pesquisas ele observou como o brincar libera e constrange a criança, mas
não discute totalmente essa contradição nem completa a unidade dialética. Em
sua abordagem do brincar e de seu papel no desenvolvimento, Vygotsky
(1978) examina diversas relações e características que, em sua época, tinham
sido assumidas como aspectos definidores do brincar, por exemplo, que é
associado com prazer, que satisfaz desejos não realizados, que é simbólico, que
é governado por regras e consideram todas elas insuficientes exceto o fato de que
brincar se baseia
Para
especialistas da área de psicologia, tudo isso é usualmente tomado como
características do desenvolvimento emocional, em oposição ao intelectual. Vygotsky prossegue especificando as carências e os desejos
que se desenvolvem em relação ao brincar, aos quais ele se refere como desejos
irrealizáveis de imediato, que, diz ele, começam a se desenvolver somente na
pré-escola e, portanto, são fundamentais para (mas não explicam) o brincar da
perspectiva de seu próprio curso de desenvolvimento ou seu papel no desenvolvimento
de modo mais geral. Finalmente, definir o brincar como simbólico não o
diferencia de várias outras atividades que usam signos ou símbolos nas quais os
seres humanos se envolvem.
Vygotsky também faz observações sobre as brincadeiras que, à primeira vista, são
contra-intuitivas, porque, argumentaríamos, nossas intuições são moldadas pela
noção dominante da brincadeira. Uma é que longe de ficar livre ao brincar, é ao
brincar que a criança exibe o maior autocontrole. Outra é que, na brincadeira,
o que pode ser ou substituir alguma outra coisa não é ilimitado, isto é, a
criança não faz-de-conta ou fantasia toda e qualquer coisa. Vygotsky
conclui que o que é exclusivo do brincar é a criação de uma situação imaginária.
Em certo sentido, uma criança brincando está livre para determinar suas
próprias ações. Mas em outro sentido esta é uma liberdade ilusória, pois suas
ações estão de fato subordinadas aos significados das coisas, e ela age de
acordo com eles. VYGOTSKY (1978) p. 103.
Ao brincar, ao
criar uma situação imaginária, a criança se emancipa das coerções situacionais,
como o campo imediato de percepção. Vygotsky descreve
isso como o paradoxo primordial do brincar – “a criança opera com significado
alienado numa situação real” (p. 99). O brincar na Zona de Desenvolvimento
Proximal deve ser visto de maneira diferente às situações cotidianas do não-brincar. Segundo Vygotsky, a
diferença fundamental é que nas situações cotidianas da vida real a ação domina
o significado, enquanto na brincadeira o significado domina a ação. Na brincadeira,
a criança se comporta de maneira diferente de como se comporta na não-brincadeira.
A ação na esfera imaginativa liberta a criança das coerções situacionais e, ao
mesmo tempo, impõe restrições por conta própria. A estrita subordinação às
regras não é possível na vida real, afirma Vygotsky,
mas só na brincadeira. Desse modo, brincar cria uma zona de desenvolvimento
proximal na criança. Brincando, a criança sempre se comporta para além do
habitual de sua idade, acima de seu comportamento diário; brincando, é como se
ela fosse uma cabeça mais alta do que é. (p. 102).
Brincar é, ao
mesmo tempo, uma adaptação e uma oposição à adaptação. É, pois, uma resposta
conflituosa à alienação, a separação entre o processo de produção e o produto.
Na vida diária, somos guiados, na verdade, predeterminados por comportamentos
perceptivos, cognitivos e emocionais e, portanto, somos menos diretamente os
produtores de nossa própria atividade. Ao brincar enquanto produtores
temos mais controle na organização dos elementos perceptivos, cognitivos
e emocionais. Neste sentido brincar é muito mais um desempenho (performance) do que uma atuação (acting).
Todos nós somos escalados pela sociedade para papéis muito nitidamente
determinados; o que alguém faz num papel é atuá-lo. O desempenho difere da
atuação porque ele é a atividade socializada de pessoas que criam conscientemente
novos papéis, com base no que existe, para um desempenho social. Crianças
brincando de papai e mamãe não estão atuando, mas desempenhando, criando novos
papéis para si mesmos, reorganizando os cenários do ambiente. Neste sentido,
“brincar de zona de desenvolvimento proximal” é um jogo de história, a reunião
de elementos do ambiente social de um modo que ajuda a ver e a mostrar a
criação de significado como atividade criativa, produtiva, o que produz
aprendizagem, conduzindo o desenvolvimento.
Quais objetivos e vantagens para
incluir os educadores incluírem tal tema?
Conceituar sustentabilidade- a criança deve perceber e compreender o
conceito atual e que tem sido amplamente implementado
em nossa sociedade.
Socializar idéias e construir jogos pedagógicos com materiais recicláveis
e estabelecer faixa etária, objetivos e funções do material adequado as habilidades previstas nos
Parâmetros Curriculares Nacionais -
– com este objetivo em mente tanto
educador como educando são beneficiados, pois a diversidade de material que
estará disponível com poucos recursos é imensa, e será de uso cotidiano do
aluno, tornando-se algo real e palpável.
Referência Bibliográfica
CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação: A ciência, a sociedade e a cultura emergente.
São Paulo: Cultrix,1982.
CUNHA,Nylse Helena Silva. Criar para brincar:a sucata como recurso pedagógico.
São Paulo: Aquariana, 2005.
FRIEDMANN, A. Brincar:
crescer e aprender - o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996
NEWMAN, Fred,
HOLZMAN, Lois. Lev Vygotsky, cientista revolucionário. Edições Loyola, São
Paulo, 2002.