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Espaço-Poesia
Viver e Sonhar
Ensurdeçamos os
pobres coitados
Cantando o amor
Para quebrar o gelo de seus corações
Esqueçamos os erros
porque os maiores erros
são culpar e se culpar
Pensemos menos no
passado
para que ele
não ocupe o lugar do presente
Unamo-nos
Não sendo iguais
Mas para cumprir o mesmo objetivo
Sonhemos com a
realidade
Para que os sonhos irreais
Não causem mágoas
E vivamos
Sendo a vida ruim ou não
É nosso bem mais precioso!
(a) Douglas Firmino
Ramos
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Artigo
Sócrates: elogio à filosofia
Filho
de Sofronisco e de Fenarete,
Sócrates nasceu em Atenas no final de 470 ou no início de 469 a.C. e
morreu, condenado pelo tribunal ateniense a tomar cicuta, em 399 a.C., com
a idade de 70 anos. Os relatos dizem que Sócrates dedicou-se à filosofia
depois de haver ido ao templo de Apolo Delfo e
Ter ouvido uma voz interior (que ele chamava de daímon,
espécie de espírito bom ligado a alguém e que personifica o caráter da
pessoa e seu destino) que o fez compreender que o oráculo inscrito na porta
do templo – “Conhece-te a ti mesmo” – era a sua missão. Por ela, abandonou toda atividade prática e viveu
pobremente com sua mulher Xantipa e seus filhos.
Foi descrito por todos os que o conheceram como alguém dedicado ao conhecimento
de si e que provocava nos outros perguntas sobre si próprios, conversando
na praça do mercado, nas reuniões de amigos e nas ruas com quem aparecesse e se interessasse em respeitar o oráculo de
Apolo Delfo, isto é, conhecer-se a si mesmo.
“Conhece-te a ti mesmo” e
“Sei que nada sei” são as duas expressões que ninguém no pensamento
ocidental jamais duvidou que fossem de Sócrates. Com elas, o homem, a ética
e o conhecimento surgem como as questões centrais da filosofia. E, desde
Aristóteles, também, ninguém contesta que a pergunta socrática por
excelência seja: “o que é...?”. Indo consultar o oráculo de Delfos,
Sócrates ouve a voz (interior) do daímon, que lhe
transmite a mensagem de Apolo: “Sócrates é o homem mais sábio entre os
homens”. Espantado, Sócrates procura os homens que julgava
sábios (políticos e poetas, cuja função é ensinar e guiar os
outros), consulta-os para que lhe digam o que é a sabedoria. Descobre,
porém, que a sabedoria deles era nula. Compreende, então, o que o daímon lhe diz: “Agora já sabes por que és o mais sábio de todos os homens”. Sócrates
compreende, enfim, que nenhum homem sabe verdadeiramente nada, mas o sábio
é aquele que conhece isto. O início da sabedoria é, pois, “sei que nada
sei”. Se assim é, a inscrição no pórtico do templo de Apolo – “Conhece-te a
ti mesmo” – significa que o conhecimento não é um estado (o estado de
sabedoria), mas um processo, uma busca, uma procura da verdade. Eis o
motivo que leva Sócrates a praticar a filosofia como missão: a busca
incessante da sabedoria e da verdade e o reconhecimento incessante de que,
a cada conhecimento obtido, uma nova ignorância se abre diante de nós. Isto
não significa que a verdade não exista, e sim que deve ser sempre procurada
e que sempre será maior do que nós.
Sob este aspecto, torna-se
clara a diferença entre Sócrates e os sofistas e por que eles os critica. O
sofista é um professor de técnicas, de política, de virtude e de sabedoria,
portanto alguém que julga possuir conhecimento e ser capaz de
transmiti-los. Eis por que as relações dos sofistas eram aulas onde alguma
coisa era ensinada, um conteúdo era transmitido já
acabado, pronto. As preleções eram solilóquios ou monólogos, isto é,
apenas o sofista falava enquanto os outros o escutavam. Além disso, os
sofistas eram céticos. Para eles, tudo é por convenção e tudo é opinião;
tudo é tal como nos aparece e tal como nos parece; o sim e o não dependem
apenas dos argumentos para persuadir alguém a manter ou mudar de opinião.
Em outras palavras, não há por que buscar a verdade, pois esta não existe.
Diferentemente dos
sofistas, Sócrates não se apresenta como professor. Pergunta, não responde.
Indaga, não ensina. Não faz preleções, mas introduz o diálogo como forma da
busca da verdade. Esta foi a razão de não haver
escrito coisa alguma. Dizia que a escrita é muda e que sua mudez cristaliza
idéias como verdades acabadas e indiscutíveis. Sócrates mantém a separação
entre opinião e verdade, entre aparência e realidade, entre percepção
sensorial e pensamento. Por isso, sua busca visa a alcançar algo muito
preciso: passar da multiplicidade de opiniões contrárias, da multiplicidade
de aparências opostas, da multiplicidade de percepções divergentes à
unidade do conceito ou da idéia (que é a definição universal e necessária
da coisa procurada). Ao exigir de si mesmo o conhecimento de si, exigia dos
outros que conhecessem a si mesmos, motivo pelo qual a primeira tarefa do
diálogo socrático é fazer com que cada um descubra sozinho que aquilo que
julgava ser a idéia da coisa (o
saber que julgava possuir), era uma imagem
dela, que aquilo que julgava ser o conceito da coisa, era apenas uma opinião sobre ela, e que aquilo que
julgava ser a verdade eram somente preconceitos sedimentados pelo costume.
Com Sócrates, a filosofia começa a falar em método e ciência. O método socrático, exercitado sob a forma do diálogo,
consta de duas partes. Na primeira, chamada de protréptico, isto é, exortação, Sócrates,
convida o interlocutor a filosofar, a buscar a verdade; na Segunda, chamada
élenkhos,
isto é, indagação, Sócrates, fazendo perguntas comentando as respostas e
voltando a perguntar, caminha com o interlocutor para encontrar a definição
da coisa procurada. O élenkhos é
dividido por Sócrates em duas partes e são essas que, comumente, vemos
chamadas de métodos socráticos. Na primeira parte, feita a pergunta,
Sócrates comenta as várias respostas que a elas são dadas, mostrando que
são sempre preconceitos recebidos, imagens sensoriais percebidas ou opiniões subjetivas e não a definição
buscada. Esta primeira parte chama-se ironia
(eiróneia),
isto é, refutação, com a
finalidade de quebrar a solidez aparente dos preconceitos. Na Segunda
parte, Sócrates, ao perguntar, vai sugerindo caminhos ao interlocutor até
que este chegue à definição procurada. Esta Segunda parte chama-se maiêutica, isto é, a arte de realizar um
parto; no caso, parto de uma idéia verdadeira.
Num século de grande e
exuberante produção literária, Sócrates é uma estranha exceção: não
escreveu. E a ausência de obras e de escritos o transforma num enigma e num
problema que vem desafiando a história da filosofia, pois, afinal, quem e o
que pensou o “pai da filosofia”?
Paulo
Leandro Maia
Mestrando
em Filosofia – PUC/SP
Bibliografia.
BROCHARD, VICTOR: L’Ouvre de Socrate, Trad. Paul Ricoeur, Éditions du Seuil, Paris, 1956.
BRUN, JEAN: Sócrate, Presses Universitaires de France, Paris, 1960.
ZELLER, EDUARD: Sócrates y los
Sofistas, trad. J. Rovita
Armengol, Editorial Nova, Buenos Aires, 1955.
SÓCRATES. Coleção Os Pensadores, Nova Cultural, 1999. São
Paulo.
CHAÜI, Marilena. Introdução à História da Filosofia: dos
pré-socráticos a Aristóteles, vol 1. Editora Brasiliense. São Paulo,
1994.
GIORDANI, Mário Curtis. História da Grécia Antiga. Editora Vozes.
Petrópolis, 1984.
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