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SCHONHEIT  (beleza).  O conceito de belo na arte e a filosofia

O termo alemão Gemüt tem como significado “totalidade de Sentimentos”, “pensamentos de uma pessoa”. Para Leibnitz, o termo Gemüt significa o processo capacitador de uma pessoa pensar. Assim, seria aquilo que uma pessoa entende de algo. Já em Kant, Gemüt apresenta a capacidade que a pessoa tem de sentir (empfinden) e pensar.

Gemüt, por sua vez  é empregada enquanto palavra no sentido de substituir Geist (mente), que era um termo mais utilizado pelos intelectuais.

O filósofo alemão Fichte, afirmava que os franceses tem (Geist) – “espirit, vivacidade de espírito”  – já os alemães teriam Gemüt – “alma, coração, a sede de emoções veementes em grande escala” –; assim, os românticos alemães, fruto do romantismo enquanto movimento literário e social, trabalhavam Gemüt, a fonte da poesia.

Desta forma, afirmavam; “a poesia é o retrato de Gemüt, do mundo interior em sua totalidade” e, “em última instância, tudo se torna poesia. O mundo, afinal, não vem a ser Gemüt?”(Dicionário Hegel – de Michel Inwood – Jorge Zahar Editora).

Portanto, percebemos aonde estes pensadores gostariam de chegar: para os românticos o mundo não é só mente e, antes de tudo, uma estruturação e criação do Ser. Porém, mais do que o intelecto, temos aqui os sentimentos; o poeta é, antes de qualquer coisa, aquele que expressa sentimentos, porém o mundo não pode ser entendido em  primeiro lugar pelos sentimentos?

Hegel emprega Gemüt no seu sentido, podemos dizer, mais limitado, como “sede de emoção”. Para ele existe uma associação objetiva entre Gemüt e estética.

Porém, para continuar o nosso estudo, devemos analisar o emprego de outro termo alemão, Seele (alma),para os gregos antigos, alma era o princípio da vida; assim, para Platão e Aristóteles, qualquer coisa viva tinha alma (homens e animais, Aristóteles estende o conceito para as Plantas).

Embora utilizando ocasionalmente o termo Weltseele (alma universal), o emprego mais corrente em Hegel é o de Seele. Já “alma universal” é um termo que surge em Platão (no Timeu), nos estóicos, em Plotino, Giordano Bruno e Schelling. O sentido deste termo é de que o mundo seria como um organismo que é animado apenas por uma única alma; porém, Hegel não endossa este aspecto ou ponto de vista, pois utiliza (Weltseele) muito esporadicamente.

Ao utilizar Seele, Hegel o faz da mesma maneira de Platão e Aristóteles, porém “...não abrange todas as atividades psíquicas, apenas aquelas que o homem compartilha com plantas e animais: qualidades e alterações corporais, sensação, sentimento e habito”(ob.cit.p.222).

Desta forma Seele não seria uma coisa, não seria uma estrutura que esteja separada do organismo, de acordo com Aristóteles; para Hegel a alma não está separada do organismo.

Assim sendo, Seele, enquanto conceito, para Hegel, será utilizado metaforicamente e com o sentido de significar o processo “interno-essencial” de uma entidade que de certa forma, não se apresenta de uma maneira literalmente viva.

 “Descartes (e, ocasionalmente, Platão) considerou a alma uma substância distinta, a qual está combinada com o corpo e pode sobreviver a sua morte. Platão tende a ver a alma nesse sentido como predominantemente intelectual ou racional para Descartes, ela é exclusivamente intelectual e os animais são máquinas sem alma. Wollf e outros racionalistas leibnizianos fizeram da alma, nesse sentido, objeto de um estudo especial, a psicologia racional. A alma e o espírito (Geist) transformado numa coisa. Mas, no entender de Hegel, o espírito não é uma coisa: ele é essencialmente ativo,absoluta atuosidade” (Enciclopédia das Ciências Filosóficas, vol. I – 34a – no original alemão ? Enzyklopädie der philosophischen Wissenschaften in Grundisse). Assim, ele emprega Seele nesse sentido somente quando se ocupa dos pontos de vista de outros.”(ob. cit. p.23).

Para os filósofos gregos Platão e Aristóteles, o papel da arte – esta contém o belo – seria o de imitação, portanto, o artístico (quando não sendo um simples oficio ou profissão) envolve a “imitação da natureza” e dos “assuntos humanos”.

Nos séculos XVII e XVIII, a arte era ainda, de uma forma predominante, vista como imitação, só que, com Goethe, Hegel e, principalmente Schelling, percebe-se uma rejeição a este sentido de arte.

Schelling, aliás, colocava o papel criativo do artista em um nível semelhante ao da natureza. Na opinião de Hegel, a obra de arte era essencialmente schön, isto é, belas.

Assim ocorre, pois estas são criadas pelo homem e esta criação seria superior, aquilo que é criado pela natureza.

“A pior das idéias que perpasse pelo espírito de um homem é melhor e mais elevado do que a mais grandiosa produção da natureza – justamente porque essa idéia participa do espírito, porque o espiritual é superior ao natural”( Estética – Idéia e o Ideal: Cap. I. p.27 – “Os pensadores”).

Desta forma, a arte é, mais do que nunca, fruto da estrutura humana. Porém, comparando o sentido de Arte entre os filósofos gregos e alemães, o sentido de belo, encontramos diferenças. Desta forma, fica o desafio: como podemos caracterizar o belo em uma obra de arte e principalmente: Será possível caracterizá-lo? 

José Sobreira Barros Jr.

Mestre em Filosofia – PUC/SP

Bacharel em História – PUC/SP

 

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