Artigo Pág. 6
A Natureza do Homem em Karl Marx
O homem sempre foi e ainda é facilmente
seduzido para aceitar determinada forma do ser humano como sendo uma essência.
Na medida em que isso acontece, o homem define a sua humanidade em termos da
sociedade com a qual se identifica. Sempre houve homens que olhavam para além
das dimensões da sua própria sociedade.
Uma das mais significativas definições da espécie
caracterizada pelo homem talvez tenha sido dada por Marx, que o definiu como
uma “atividade livre e consciente”.
O conceito marxista do homem nasce do pensamento de
Hegel. Este princípio como o discernimento de que a aparência e essência não coincidem. E o problema da relação
entre essência? No processo da existência a essência se realiza e, ao mesmo
tempo, existir significa o retorno à essência. O mundo é um mundo alienado e
falso enquanto o homem não destrói sua objetividade inerte e se reconhece à sua
própria vida “por trás” da forma física das coisas e das leis.
A independência e liberdade, para Marx, baseia-se
no ato da auto criação, um ser não se considera independente
a menos que seja seu próprio senhor, e ele só o é quando deve sua existência a
si próprio. Um homem que vive graças ao favor de outrem deve ser considera um
ser dependente.
A critica central feita por Marx ao capitalismo não
é a injustiça na distribuição da riqueza; é a perversão do trabalho,
convertendo-o em trabalho forçado, alienado, em sentido – por conseguinte, a
transformação do homem em uma “monstruosidade”.
A passagem do naturalismo para o historicismo
se realiza através da consideração das exigências imprescindíveis da realidade
do homem, que é, antes de tudo, um ser natural vivente (ativo) e não pode
portanto, ter realidade ele mesmo se não
é real o mundo que está fora dele, e que
representa o seu objeto; e em segundo lugar o homem é um ser humano, e como tal
vive e opera dentro da espécie humana.
O homem é antes de tudo um ser natural. Como ser
natural vivente, ele é em parte provido de forças naturais, de forças vitais,
como impulsos. Em parte ele é, enquanto o ser natural, e objetivo dotado de
corpo e sentidos, um ser passivo, condicionado e limitado, um ser real e
objetivo dotado de forças naturais, de sentidos, significa que ele tem por objeto
do seu ser, das suas manifestações vitais, outros objetos reais e sensíveis e
que ele possa expressar a sua vida unicamente sobre os objetos reais e
sensíveis. O fato de sermos objetivos, naturais e sensíveis, e ao mesmo tempo
termos objeto, natureza, e sentido fora de nós, ou sermos nós mesmos objeto,
natureza e sentidos em relação a terceiros, é a mesma coisa. A natureza fora de
si, de um objeto fora de si, para poder satisfazer-se e acalmar-se..
Um ser que não tenha a própria natureza fora de si,
não é um ser natural, não participa do ser da natureza. Um ser que não tenha o
objeto fora de si não é um ser objetivo. “ um ser não
objetivo é um não ser”.
Mas o homem não é apenas um ser natural, é também
um ser natural humano, isto é, um ser que é por si mesmo, e em seguida um ser
genérico; como tal, ele deve atuar e confirmar-se tanto no seu ser como no seu
saber.
Nem a natureza objetivamente, nem a natureza
subjetivamente, é imediatamente presente ao ser humano de forma adequada. E
como tudo isso que é natural deve ter uma origem, assim também o homem tem seu
ato de origem, a história, que toda via, é por si um ato de origem de que ele
tem consciência. “A história é uma verdadeira história do homem”.
Devemos começar a reconhecer o primeiro pressuposto
de toda exigência humana e, portanto, de toda história, isto é, que os homens
devem estar em condições de viver para poder
fazer “história”. Mas para viver é antes de tudo comer, beber, ter habitações,
etc. O primeiro fato histórico, portanto, é a produção da própria vida material,
e sem dúvida é isto um fato histórico, uma condução fundamental de toda história
que ainda hoje, como milhares de anos, deve ser cumprida cada dia e cada hora
para manter somente os homens é que se observe o alcance e se leve ao reconhecimento
dos seus direitos.
A criação prática de um modo objetivo, a transformação
da natureza, a ignorância é a demonstração de que o homem é um ser genérico dotado
de consciência, é justamente na transformação do mundo objetivo que o homem se
mostra como um ser genérico. É esta
produção que constituição a sua
vida ativa como ser genérico. Através dessa natureza aparece como a sua obra e a sua realidade. Marx se preocupa
também em sempre distinguir o homem dos animais por causa da consciência, da
religião ou do que mais se queira. Mas na realidade os homens começam a produzir
os seus meios de sobrevivência. “Enquanto os homens produzem os seus meios de
vida, produzem indiferentemente a sua própria vida material”.
Dá-se, assim, a passagem da estoicidade
dos animais ao dinamismo próprio dos homens. Os animais dependem estaticamente
da natureza, sempre iguais. O homem, ao invés, com sua criação, encontra-se em
relação com este ambiente social, com a sociedade, modificando a sua própria
ação, desenvolvendo as suas capacidades e suas produções; numa palavra deve
entrar na história. A criação do homem é uma criação da sua própria vida, uma
criação progressiva. Assim das diversas relações espirituais, políticas, etc. Não
há, absolutamente, uma história própria, não há qualquer desenvolvimento próprio;
mas são os homens que modificam com esta
realidade por eles criada, também o seu pensamento e os produtos do seu pensamento.
Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.
Neste desenvolvimento da consciência aparece em
toda a sua evidência a natureza social que a caracteriza. A consciência humana
não se desenvolve no indivíduo isolado, mas unicamente nas relações.
Desde o começo o espírito leva em si a maldição de
ser “contaminado pela matéria”, na qual
se manifesta a esta altura sobre formas de camadas de movimento de sons, em
suma, de linguagem.
A linguagem é tão velha quanto a consciência. A
linguagem como a própria consciência nasce
em primeiro lugar da necessidade da urgência do manter comércio com os seus outros
homens. A consciência portanto, é desde o início um produto social e permanecerá
como tal enquanto existirem homens.
Como a sociedade produz o homem enquanto homem,
assim produz a sociedade. Há também uma reciprocidade completa, um intercâmbio
de ação e interdependência. A atividade e o espírito são sociais tanto pelo seu
conteúdo como pela sua origem; a essência
humana da natureza existe unicamente para o homem, e a existência natural do
homem torna-se para ele em existência humana; a natureza transforma-se em homem.
Assim a sociedade é a unidade essencial que chegou à sua realização, estabelecendo
a identificação do homem. Como a natureza, alcançando a verdadeira ressurreição
da natureza, realizando o naturalismo completo do homem e o humanismo completo
da natureza.
Mas o necessário é recordar aqui que não se trata
de considerar o indivíduo passivamente submisso à sociedade, isto é, não se
trata de ver nisso um mero produto da sociedade. Marx afirma decisivamente a
reciprocidade da ação que se exerce entre o homem e a sociedade.
A doutrina materialista, segundo qual os homens são
produto do ambiente e da educação, mudam com o mudar de ambiente e da educação,
esquece que o ambiente vem mudando justamente pelos homens e que o próprio
educador deve ser educado, ou seja, há uma troca continua de ações e reações
entre homens e ambiente, entre indivíduo e sociedade. O homem é um produto da
sociedade e a sociedade é um produto do homem.
A sociedade contribui para a transformação do
homem, mas é o homem que produz essas modificações.
Portanto,
Marx, como mestre, relutava em utilizar a análise estratégica a sério em aplicação
a problemas normativos. Isso porque, como ele tendia a chamada abordagem do
contrato, o método repousa em postular uma decisão de uma situação do estado de
matéria inicial; mas, como afirma Marx, a presunção de um indivíduo fora da
sociedade é um absurdo, pois as pessoas jamais, podem ser concebidas em abstrato.
Paulo Leandro Maia
Mestrando em Filosofia-PUC/SP
Bibliografia
MONDIM, Batista, Curso de filosofia - 3, 5ª edição, Edições Paulinas, 1981, São Paulo
MARX, Os Pensadores
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda, e Martins, Maria Helena Pires. Introdução a Filosofia,
2ª edição, Editora Moderna, 1993, São Paulo
PADOVANI, Umberto, e CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia, 17ª edição, Editora
Melhoramentos, 1998, São Paulo