Paradigmas

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Coluna do Leitor

Nietzsche e os melhoradores da Humanidade1

Nietzsche entende que o filósofo deve estar além do bem e do mal. Explica que se ater a tais juízos é uma ilusão, pois não há fatos morais. O que existe é a imaginação do homem, que crê em  "verdades" inexistentes, fantasiosas. A moral, pois, é uma "falsa interpretação"1, e assim como a religião, só atinge pessoas ignorantes que não sabem distinguir o real do imaginário. É apenas simbologia.

            Considerando a moral como um sistema normativo com o fim de melhorar o homem, ele esclarece o quão tendencioso é esse sistema. Afirma que o único melhoramento real é a "domesticação e a criação duma espécie determinada de homem", zoologicamente, o que é ignorado pelos sacerdotes. Compara a atividade religiosa, ou sacerdotal, a um domador de animais selvagens. Diz que não é melhoramento a domesticação desses animais, posto que para isso, o homem os debilita, enfraquece, adoenta e, por fim, os domina. O processo de moralização ou "melhoramento" do homem é o mesmo.

            Na Idade Média, exemplifica, casavam-se os "belos exemplos do animal louro", melhorando realmente os nobres germanos. Mas, domesticados, tornavam-se cristãos e, portanto, fracos, desconfiados dos fortes e felizes não-cristãos. A Igreja, pois, assevera Nietzsche, "corrompeu o homem, tornou-o débil e reivindica o mérito de tê-lo tornado melhor."

Depois desse exemplo de domesticação, cita um de "criação duma determinada espécie". Para comprovar que a moral atende aos interesses  dominantes, retrata a moral hindu, segundo a qual foram criadas quatro raças distintas na sociedade (sacerdotal, guerreira, mercadores e lavradores, e servidores sudras). Aqui, para Nietzsche, a religião forma um "mundo mais são, mais elevado, mais amplo", pois para criá-lo, exige-se "uma espécie de homem cem vezes mais suave e mais racional que o dos domadores". Assim, defende mais uma vez a estratificação racial. Seguro da verdade, Nietzsche apresenta, em contrapartida, o grande defeito da moral, destacando a necessidade, nesse processo de criação, do enfraquecimento das vontades contrárias, retratadas pelos "chandalas" (homens de mistura incoerente), raça que foi renegada e marginalizada, atribuindo-se-lhes as piores condições de sobrevivência. Infere-se, assim, que, para Nietzsche, toda religião, seja criadora ou domesticadora, tolherá a liberdade volitiva humana e marginará, sufocará todo pensamento contrário às suas normas.

            Conclui-se, enfim, que, para Nietzsche, o cristianismo representa a vitória dos "chandalas", dos miseráveis, tendo-se tornado, por isso, a "religião do amor...". Dessa forma, para criar uma moral é necessário, entende o filósofo, "Dispor da vontade do contrário", e esse é o maior problema das religiões, motivo pelo qual pensa que "Todos os meios pelos quais, até o presente, a humanidade deveria ter se tornado mais moral eram fundamentalmente imorais."

 Antonio Carlos Pereira

 

 

[1] Citações extraídas do capítulo “Aqueles que querem tornar a humanidade "melhor",do livro "Crepúsculo dos ídolos" , de Nietzsche.

Espaço-Poesia

 

 

 

Desabafo

 

Abram as portas do mundo

Que eu quero falar,

A estátua da liberdade

Precisa me escutar

 

A terra é uma barriga

Que tudo gerou,

O sol é a luz

Do dedo divino

Que para terra apontou

 

E com toda essa luz

Ninguém está enxergando

Que o mundo, a miséria

Vem abraçando.

 

Os magnatas da terra

São deuses iludidos,

Que um dia por ela

Serão engolidos.

 

As riquezas da vida trazem muita emoção,

Mas podem servir de estorvo

Na próxima geração.

 

Abram as portas do mundo

Que eu quero falar!

 

 

 

João Monteiro

Poesia 2, Mongaguá/SP.

 

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01 “O Centro da Terra não é o centro do universo, mas apenas o da gravidade e o da órbita da Lua”. Essa frase é uma das máximas revolucionárias da ciência astronômica no final do Renascimento e foi defendida por:   a)Descartes; b) Tomás de Aquino c) Giordano Bruno; d) Nicolau Copérnico.

02.  Para Giordano Bruno, filósofo renascentista, a verdade: a) é o que a maioria afirma;  b) é o que a Igreja afirma; c) não existe objetivamente ; d) não se confirma apenas pelo consenso.

03. A crítica fundamental de Marx ao capitalismo diz respeito: a) à distribuição de renda b) à alienação do homem pelo trabalho; c) às divisões estatais;  d) à moral vigente.

04. Segundo Enrique Dussel, filósofo latino-americano, a sociedade atual: a) deve seguir o modelo grego antigo; b) deve se pautar pelo pensamento europeu; c) deve romper com o sistema totalizante; d) deve ser fiel às determinações norte-americanas.                   

 

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