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HERBERT MARCUSE: o filósofo da negação
Herbert Marcuse
nasceu em Berlim, em 1898, e faleceu nos Estados Unidos da América, em 1979. Em
1933, Marcuse associou-se ao Instituto de Pesquisa
Social, ligado à Universidade de Frankfurt, fundado nos anos vinte, como o
primeiro Instituto de orientação marxista na Europa.
No Instituto, já com a orientação
de Horkheimer, ajudou no desenvolvimento da chamada
“teoria social crítica”, postulando um antagonismo com a “teoria tradicional”.
Com ascensão do regime nazista ao
poder, em 1933, Marcuse transferiu-se para Genebra,
onde trabalhou na filial internacional do Instituto. Porém, em 1934, emigrou
para os E.U.A., e, nesse ano, a Columbia University convidou o
Instituto para filiar-se a ela, colocando um prédio à sua disposição, o
que possibilitou a organização do “Instituto Internacional de pesquisa Social”.
Ao chegar em Nova York, Marcuse organizou a seção internacional do Instituto, ajudando
com artigos na publicação do informativo “Zeitschirift
für Sozialforschung”,
publicado até os anos quarenta, já em inglês (a maior parte dos oitos volumes
da Zeitschrift für Sozialforchung [1932-1940] foi publicada em alemão,
enquanto, a partir do volume VIII, n.3,1940 e até o volume IX, 1940-1941, a
revista do Instituto foi publicada em inglês por causa das condições da guerra
e para se comunicar de forma mais vital com os acadêmicos de língua inglesa).
Com a escassez financeira do Instituto,
Marconi aceitou participar, nos anos quarenta, do esforço de Guerra dos Aliados
– como muitos outros imigrantes de origem judaica ou não, exilados da Europa –
participando do Departamento de Serviços Estratégicos e do Departamento de
Investigação dos Serviços Secretos (ISS), que depois, nos anos pós-guerra,
deram origem à CIA. Marconi participou ativamente,
nesses departamentos, do processo de contra-propaganda, e com análises que
poderiam permitir uma reconstrução da Alemanha definitivamente mais justa e
democrática, muito além dos limites do que se conhece de um liberalismo
burguês, sendo favorável a um novo papel dos sindicatos e da autonomia dos
trabalhadores frente ao novo Estado que surgia.
São de 1944 os trabalhos
desenvolvidos por Marconi, Newman e Otto Jirchheimer,
intitulados “Dissolução do Partido Nazista e suas organizações afiliadas” e
“Tática para o renascimento de antigos partidos e o estabelecimento de novos
partidos na Alemanha”.
Marcuse
descreveu sua própria participação na tarefa como ‘peça principal’, o que
envolveu tomar parte em discussões de formulação, organização e implementação
de todo o projeto, no qual Marcuse conclui várias
partes dele de forma independente.
Com o clima da Guerra Fria que se
seguiu ao final da Segunda Guerra Mundial, esses pensadores marxistas foram
remanejados para outros setores ou simplesmente demitidos.
Em face dos acontecimentos
citados, Marcuse voltou-se para o estudo acadêmico e
o lecionar, suas publicações saíram em primeiro lugar nos Estados Unidos, onde
tinha uma pequena relevância. O pensamento de Marcuse,
entretanto, começou a ser reconhecido na Europa em meados dos anos sessenta.
Efetivou
ele uma profunda crítica às chamadas sociedades industrializadas no aspecto
social e político.
Especialmente por esse fato, o
seu pensamento provocou grande impacto em meio às revoltas estudantis e no maio francês de 1968.
Uma das questões peculiares
apontadas pelo filósofo alemão foi sua condenação às normas das sociedades
industriais avançadas, entendendo essas normas em todos os sentidos – do
produtivo às relações pessoais, ao consumo desenfreado de mercadorias.
Efetivando uma nova visão da obra
de Freud, podemos dizer que Marcuse estruturou uma
ponte entre Freud e Marx para, através dessa notável simbiose, estabelecer
severas análises criticas sobre as sociedades industrializadas.
O tema da Negação Total, isto é, o não pactuamento
com a sociedade industrializada e nem com a sua repressão, nada de reformismo,
só ruptura, é o que se destaca em Marcuse, e, quase de uma maneira incansável, é diversas
vezes retomado. A idéia é rechaçar tudo o que essa sociedade oferece em bloco,
pois aceitar qualquer coisa dela será manter o dedo na engrenagem do sistema e
converter-se em seu cúmplice antes de se tornar seu prisioneiro.
Dessa forma, a idéia de negação
tem alguns exemplos concretos, como os operários (e trabalhadores em geral) dos
países industrializados, como Estados Unidos da América e Alemanha.
Por outro lado, não precisamos ir
tão longe para apresentar, nos dias de hoje, um exemplo de países tão
desenvolvidos no aspecto que é enfocado por Marcuse.
Pensemos nos trabalhadores dos centros mais industrializados do Brasil ou
Argentina (é claro que não podemos esquecer o componente desemprego que pesa
muito neste setor ou em outros, mas, mesmo assim, esse dado não desmerece a
comparação no seu todo), o papel que eles (e principalmente suas lideranças)
exercem ao refrear qualquer processo de luta que não esteja na órbita dos seus
interesses corporativos, ou, melhor ainda, o que ocorreu com a última tentativa
de desemprego massivo na Volkswagem.
Na Argentina, uma onda de
protestos massiva e espontânea assola o país, mas não se ouve falar de nenhuma
ação organizada dos sindicatos objetivando estruturarem-se nos movimentos.
Neste aspecto, vem a idéia marcusiana de rechaçar
esta sociedade de uma maneira total e radical, pois só assim pode-se conseguir
uma defesa eficaz sobre a opressão social que ocorre.
Ao mesmo tempo, esta é uma
primeira condição para logo edificar, sobre as ruínas do sistema estabelecido,
a nova sociedade.
O questionamento marcusiano
não aceita nenhum limite, nenhum tabu e,
muito menos, nenhum direito adquirido.
José
Sobreira de Barros Júnior
Mestre
em Filosofia – PUC/SP