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Coluna do Leitor
Eros mítico
“Então no princípio era o caos; depois
a terra de largos flancos, base oferecida para sempre a todos os seres
vivos,e Eros, o mais belo dentre os deuses imortais,aquele que desequilibra
os membros e subjuga, no peito de todos os deuses
e de todos os homens, o coração e a sábia vontade.” (Hesíodo, Teogonia, in:
Enciclopédia de Mitologia Greco-romana, pág.32, v. I).
O Eros primitivo é uma força de
natureza espiritual. É ele quem assegura a coesão do
universo nascente. É o dominador, o elemento primordial, o liame que
une os elementos entre si; princípio e fonte de todo impulso gerador.Sua
força fertilizadora rege o destino de todo o universo.Eros preside a
mistura das essências primárias.
Eros é o desejo insaciável,
desejo de tudo unir, de tudo conhecer, a via de acesso ao reino do perfeito
equilíbrio. Figura como o agente que interfere na constituição do universo
e do próprio mundo.Nesta perspectiva é um principio que exerce seu poder
sobre os homens, força obscura e potente, poder saudável criador de
virtude.Força que não tem origem por conter em si mesma o princípio de
tudo.Elemento de união entre os mortais e os imortais.Sua natureza é ao mesmo
tempo forma, sentido e símbolo impalpável. O Eros de raiz
cósmica, esse Eros que invade e informa, é um conceito de valor
contínuo e influente.
Aparentemente não há uma
separação radical, e muito menos contraposição,
entre o conceito de Eros e a phisis (natureza), tendo presente o espírito
em que o grego compreendia essas naturezas.Aspectos de uma mesma força
vital, física, espiritual e intelectual, na qual o
elemento humano, sentindo-se imerso na natureza, anseia por
desvendá-la e descobrir seus mistérios; uma ânsia que visa seu desejo de
imortalidade.O Eros é essa força que a tudo une em uma mesma natureza,
mesma dinâmica, pertencente ao mesmo impulso que faz com que as coisas
perceptíveis e sensíveis busquem assemelharem-se às verdades eternas.
A concepção mítica do Eros,
entretanto, sofreu grandes transformações através dos tempos.Filósofos e
poetas atribuem-lhe pais: um o faz filho da Pobreza e do Recurso, outros de
Zeus e Afrodite. Primitivamente, sua representação como princípio incriado figurava como pedras toscas, despidas de
qualquer elaboração.Em época posterior, por sua associação á Afrodite, Eros
perde seu caráter original e passa a ser representado como um menino
travesso, caprichoso, tormento dos deuses e dos hímens; estando assim de
ora em diante, inseparavelmente associado à Afrodite
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tanto no mito quanto nas artes.
“Todos, com
efeito, sabemos que sem amor não há Afrodite. Se, portanto, uma só fosse
esta, um só seria o amor; como porém são duas,é forçoso que dois também
sejam os amores.
E como são duas deusas.Uma
a mais velha, sem dúvida, não tem mãe e é filha de Urano, é à ela que chamamos de Urânia, a Celestial;a mais nova
filha de Zeus e de Dione,chamamo-la de Pandêmia,
a popular.É forçoso então que também o Amor coadjuvante de uma,se corretamente
Pandêmio, o Popular,e o outro Urânio, o
Celestial.” (Platão,Banquete,180d.e.).
Eros enquanto associado à Afrodite figura com um duplo
aspecto.Um Eros Popular que representa o instinto irrefletido que tende a
satisfação dos apetites sensuais. O outro aspecto, o Eros Celestial, é o
que serve à verdade, ao bem e a perfeição do amado.
Afrodite nessa simbologia,
enquanto manifestação pandêmica encarna o amor
erótico em seu mais amplo significado, o próprio impulso amoroso, a infinitude do amor; tanto no sentido humano da
procriação, da eternização do processo de
perpetuidade da geração da vida humana, bem como o próprio sentido de
atração universal dos seres!
Já a Afrodite Celeste ama as
belas almas, o amante de caráter bom e constante. Um Eros que não compactua
com o feminino, por isso não participa do mesmo apetite sensual do Eros Pandêmio. Uma ordem espiritual promotora da atração e
geração universal, harmonia dos contrários que no amor habitam.
Enquanto associada a Eros,
Afrodite seria a própria revelação do mundo enquanto amor. A presença
infinita do amor universal, a universalidade das possibilidades de ser.
Nessa concepção, como genitora de Eros, Afrodite personifica a que da a vida
ao amor, o sentido forte da geração, gênese transcendental atuando no
universo físico como processo de criação material da vida, onde Eros figura
como filho e súdito.
Eros é assim, o duplo,
amor e paixão, inteligível e ininteligível sob o mesmo momento e
aspecto. O apelo sensual da carne e a sobriedade calma dos instintos mais
elevados. Atestando que não há amor despido de paixão, atração geração,
corrupção; seja divina ou humana, sensual espiritual ou intelectual, há
sempre a excelência e equilíbrio do ciclo vital que o amor preside.
Dalva de Fátima Fulgeri
Licenciada em Filosofia/Unisantos
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Teste seus conhecimentos
01. O pré-socrático que afirmava
que todas as coisas estão em movimento, o que se processa através de
contrários chama-se:
a) Heráclito b) Parmênides c) Zenão d) Arquitas
02. Mito é...
a) Ilusão, mentira, lenda;
b) A lógica da verdade empírica e da verdade científica:
c) Atribuição de sentido ao mundo, em que a afetividade e a
imaginação exercem grande papel:
d) Uma verdade que necessita de provas para ser aceita.
03. A frase seguinte: “O que na................ se apresenta como um progresso, o insistentemente novo
que ela oferece, permanece, em todos os seus ramos, a mudança de
indumentária de um sempre semelhante...”; de Theodor W. Adorno, deve ser
completada coerentemente com a expressão:
a) arte autêntica b) Revolução Industrial c) 2ª Guerra
Mundial d) indústria cultural.
04.
“Quando eu falei de um “objeto imanente”, eu
acrescentei a expressão ‘imanente’, para evitar um mal entendido, pois
alguns chamam objeto (objeket) ao que está fora do espírito”. Com essa
explicação, Brentano quer dizer que: a) o objeto está dentro do espírito;
b) o objeto é o próprio homem; c) o objeto é correlato do ato intencional;
d) o objeto não existe.
Respostas: paradigmas@terra.com.br
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