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Paradigmas |
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Social América Latina: Revolução ou colônia? O subcontinente
latino-americano esteve marcado, desde sua independência das potências ibéricas
no século XIX, pela dependência econômica em relação ao imperialismo, em
primeiro lugar o inglês. Os governos ingleses apoiavam a independência
política dos países, em nome do liberalismo, ao mesmo tempo em que tratavam,
a ferro e fogo, de garantir os mercados e a hegemonia sobre as novas nações. Na década de 30, os
processos de industrialização em determinados países foram a
base para algumas tentativas de desenvolver uma estrutura econômica baseada
no mercado interno. Entre a crise de
29 e o fim da II Guerra Mundial, se alcançou um certo grau de autonomia
relativa, possibilitada essencialmente pela depressão na economia
imperialista, a decadência do imperialismo inglês e a guerra que devastou o
velho continente. Foi precisamente por esta brecha aberta pela crise mundial
que foi surgindo uma burguesia nacional, patronal forte e preocupada por
ocupar um espaço próprio. O crescimento econômico acompanhou esta burguesia
nacional, em setores como o industrial e, em particular, os de bens de
consumo. Esse fenômeno foi incentivando o desenvolvimento infra-estrutural,
geralmente subsidiado pelo Estado, dando lugar a um forte setor estatal na
economia. Esse processo foi chamado de “substituição das importações”.
Concluída a II Guerra Mundial, o imperialismo norte-americano tentou ocupar o
lugar que no passado ocupou o imperialismo inglês, gerando uma forte
resistência. Poderosos movimentos de
massas acabaram em grandes enfrentamentos contra a ofensiva imperialista. Os
setores nacionalistas burgueses não tiveram outra opção para sobreviver que
optar por liderar esses movimentos e acabaram confrontando governos bonapartistas suis generis, ou seja, governos que se apoiavam no
movimento de massas para tentar frear o avanço do imperialismo
norte-americano. Exemplos significativos foram os governos de Perón, na
Argentina, Cárdenas, no México e Vargas, no Brasil. Nas décadas de 50 e 60, a
contra-ofensiva imperialista se manifestou por meio de golpes e a
constituição de governos militares que trataram de adaptar as economias dos
países, começando por desmontar o modelo anterior e abrir as portas ao
capital estrangeiro. Durante a década de 70 na
maioria dos países latino-americanos continuou acentuando-se em meio a
convulsões sociais e golpes militares, os processos de aumento da dependência
das burguesias nacionais, acomodadas a seu papel de sócias menores do
imperialismo. Mas foi em meados da
década de 80, a partir da crise da dívida externa e da aplicação das chamadas
políticas neoliberais, que se deu um novo salto qualitativo. Trata-se de
mudanças nas próprias estruturas das economias latino-americanas. O aumento
inédito, acentuado desde o começo dos anos 90, da desnacionalização das
economias, mostra o grau de dependência do imperialismo, uma dependência
econômica que só se pode entender como parte do entreguismo
e a submissão dos governos e instituições. Falamos de recolonização,
pois se trata de um movimento de alcance estrutural, tentando recolocar as
economias locais no nível de subordinação do século XIX. Poderíamos sintetizar
dizendo que, de conjunto a ofensiva recolonizadora
trata de transformar a burguesia nativa de sócia menor do imperialismo em
gerente das empresas deste, no sentido de que já tiram seus lucros das quotas
de mais-valia que pertencem aos investidores estrangeiros e, no melhor dos
casos, administram a propriedade de outros, e não as suas. A ofensiva recolonizadora trata também de transformar os governos e
instituições em fantoches do imperialismo, em seus administradores coloniais. José Welmovick Professor de ciências
Sociais Doutorando em Sociologia
do Trabalho – Unicamp. (1ª. Parte do artigo
publicado na Revista Marxismo Vivo,
n.2, out/2000-jan/2001) |
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