Temporal e Espiritual
O pontificado de João Paulo II ficará marcado pela dualidade
entre o conservadorismo moral e espiritual em confronto com posições temporais
que mudaram os rumos da humanidade. O mesmo pontífice que condenava o aborto, a
eutanásia e o uso do preservativo para evitar a aids, ajudou decisivamente no
desmoronamento do socialismo e no fim da opressão na ex-URSS.
João Paulo II é, com certeza, o principal protagonista do fim da Guerra Fria e
da expansão das liberdades democráticas que se disseminou elo mundo após a
queda do muro de Berlim. É importante registrar sua postura ecumênica na
relação com o islamismo e outras religiões. Sua interferência em favor da
autonomia palestina e de várias causas humanitárias levou sua influência para
muito além das fronteiras do cristianismo, obtendo admiração e respeito entre
os mais diferentes povos e nações.
Suas viagens pelos mais diversos países do mundo serviram
não só para difundir o evangelho, levaram antes de tudo uma mensagem de
esperança e solidariedade a um mundo marcado cada vez mais pelo preconceito e a
intolerância entre os povos. O Papa Peregrino, como ficou conhecido, levou a
cada um dos habitantes do planeta o despertar para um futuro mais promissor,
onde cada povo terá o direito à autonomia de conduzir o seu próprio destino.
Quanto ao conservadorismo moral, talvez possamos analisar como um excesso de
zelo diante da derrocada de valores que marcou os últimos anos no mundo.
Infelizmente o individualismo, a luxúria e a falta de respeito com a vida são
uma característica das gerações que nasceram no pós-guerra. A mensagem de João
Paulo II talvez se torne mais forte após a sua morte, permitindo uma reflexão
maior sobre nosso padrão de vida e suas conseqüências para o futuro da
humanidade. Seja como for, o mundo só tem a agradecer a Carol
Woytila por tudo o que ele fez.