|
Observador Macroeconômico nov/dez 2004 (*) Valter Pereira Appas A
Janela está aberta O enfraquecimento do dólar no
mercado internacional em razão dos déficits gêmeos nos Estados Unidos abre
uma janela de oportunidade única para o Brasil. Como nossas contas
externas estão superavitárias em patamares acima de US$ 10 bilhões, é hora
de recompor reservas e diminuir o nosso endividamento externo, dois
calcanhares de Aquiles que debilitaram o país nos últimos 30 anos. Com
reservas mais robustas e uma dívida externa menor em relação ao PIB,
teremos muito mais margem de manobra para consolidarmos políticas estruturantes que permitirão um crescimento
sustentável de longo prazo, condição “sine qua non” para a verdadeira
inclusão social daqueles brasileiros que ainda vivem à margem do
desenvolvimento. O Branco Central tem intervindo
no mercado de câmbio nas últimas semanas numa tentativa, até agora
infrutífera, de frear a apreciação do real em relação à moeda americana.
Essa ação, porém, tem apenas o objetivo imediatista, mas não menos louvável, de assegurar a
competitividade de nossas exportações. Entretanto, o momento exige mais
audácia e visão de longo prazo, há liquidez no mercado para intervenções
mais ousadas, com o objetivo firme de recomposição das reservas, que em
última análise, reforçarão no futuro a posição brasileira no instável
mercado financeiro internacional. A China deve em muito a sua performance
econômica à robustez de suas reservas, que ultrapassam atualmente os US$
400 bilhões. Durante décadas a fragilidade externa das contas brasileiras
foi um entrave ao nosso crescimento, a conjuntura atual é uma rara
oportunidade de eliminarmos esse obstáculo, mas para isso é preciso uma
ação decisiva da autoridade monetária e não apenas ações tímidas e sem
objetivos claros, como têm sido adotadas. Será imperdoável, ainda mais a
um governo que se intitula de esquerda, perder a chance de fortalecer a
posição do Brasil diante da banca internacional. Para ler artigos anteriores, clique aqui (*) Valter Pereira Appas, autor desta coluna, é historiador, especializado em História Econômica do Brasil, professor de Geopolítica e Economia
|