A LINGUAGEM COMO VONTADE DE PODER E DOMINAÇÃO

Laura Elizia Hauberrt*

Aproximações entre Rousseau a Nietzsche. Decipimur specie recti. Somos enganados pela aparência do bem. Horácio

 

A exposição da relação entre ideias convergentes ou divergentes de dois filósofos é um hábito comum entre pesquisadores. A pergunta que se faz óbvia não é apenas como isso é possível, mas em que medida funciona a reunião de dois filósofos frente a problemas análogos e a resolução encontrada que se desenvolve em sua filosofia. Se a história da filosofia é vista como um diálogo, não basta que se ouça a distância os sussurros, é preciso se aproximar diante dos mortos que dialogam.

I

A respeito da modalidade conversa dos mortos na filosofia:

Esse gênero literário recua até Luciano, com o Nekrikolidiálogoi (Diálogos dos Mortos, de mais ou menos 166 d. C), e foi muito estimado, particularmente na época do Esclarecimento. A própria Modernidade foi anunciada pelos Nouveaux Dialogues desMorts (Novos Diálogos dos Mortos, 1683), seguidos pela tradução de Fontenelle por Gottsched: Gesprächin Elyseum(Conversa no Eliseu, 1727), por uma tradução de Luciano de 1749, assim como por uma contribuição de Gottsched: Gesprächim Reich der Toten (Conversa no Reino dos Mortos, 1727). Também Frederico II e Voltaire, Wiesland, Schiller e Goethe compuseram conversas entre mortos, de modo que a disputa dos espíritos finalmente tornou-se também uma controvérsia dialógica do Esclarecimento. (RAUER, 2005, p.119).

 

Segundo a exposição histórica de Rauer (2005), pode-se notar que a ideia de textos que trabalhem com dois filósofos colocando um ponto de intersecção entre eles, tal como pretende este breve artigo, é antiga remontando a 166 d.C. abrindo uma jornada que passaria por grandes nomes. A conversa de mortos aqui realizada refere-se a Rousseau e Nietzsche, do Iluminismo ao fim da metafisica. A posição de ambos os pensadores frente ao problema da linguagem como vontade de poder e dominação.

Rousseau vive no início do século XVIII. Nietzsche às portas de encerramento do XIX. Rousseau não usufrui de plena saúde, sofrendo com doenças crônicas. Nietzsche também sofre a envergadura da doença. O limite para ambos, na concepção de Hardt (2012) gerou nestes pensadores uma afirmação da vida, e por vezes, pela vida. Curiosamente tanto Rousseau quanto Nietzsche possuem uma personalidade tímida, mas se Rousseau é confuso, ou como ele próprio se denomina um homem de paradoxos, Nietzsche é tingido por sua melancolia. A principal diferença entre ambos, talvez seja que diante de um ataque ou um contra-ataque Rousseau vê-se traído, com as forças esmorecidas e prefere se retirar, já Nietzsche aflora uma força interior de combate e permanece frente aos inimigos.

E seria Rousseau por seu recuo menor? A resposta ecoa através das palavras de Nietzsche (2005, p. 172), quando em seu aforismo 280 escreve ““Mau, muito mau! Como? Ele está − recuando? ” − Sim! Mas vocês o compreendem mal, se reclamam por isso. Ele recua como quem quer dar um grande salto. ” Ora, seria então a recuada de Rousseau diante do ataque um aprofundamento, um “grande salto” como se referia Nietzsche? Talvez, a possibilidade se mostra à lume e deve ser considerada.

Rousseau e Nietzsche relacionam-se não apenas na medida em que aderem à questão da linguagem, da vida, ou ainda recuam ou mostram suas forças, em verdade há ainda um ponto entre ambos que é mais esclarecedor, sejam de suas posturas como homens, sejam de suas posturas adquiridas frente as obras, a respeito de Rousseau têm-se:

Il n'y aurait pas eu d'ouvre si, au départ, il n'y avait pas eu douleur, contradictions, déchirement du sujet, - symptômes non pas d'un ordre qui se défait, mais comme d'une maladie qui gagne, active, vivante, proliférant sur le champ ordonné de la nature, dont elle utilise les forces pour la retourner contre elle-même. L'oeuvre de Rousseau est profondément une oeuvre de réaction. Elle ne nait, ne se constitue, ne se développe en système que de se provoquer elle-même. (GROSRICHARD, 1967, p.43).

 

Na exposição de Grosrichard (1967) há em Rousseau uma presente gravidade que se mostra e precisa se mostrar a ele como dor, como contradição e também dilaceramento, é a partir disso que sua obra reage, e enfim nasce. Não que Rousseau pregue sobre a dor, mas ela aparece neste sentido como seu zurGrundegehen.

Ideia semelhante pode ser encontrada em Nietzsche (2005, p.118, §225):

 

[...] A disciplina do sofrer, do grande sofrer − nãosabemvocês que até agora foi essa disciplina que crioutoda a excelênciahumana? A tensão da alma na infelicidade, que lhe cultiva a força, seutremoraocontemplar a grande ruína, sua inventividade e valentia no suportar, persistir, interpretar, utilizar a desventura e o que sóentãolhe foi dado de mistério, profundidade, espírito, máscara, astúcia, grandeza − nãolhe foi dadoemmeioaosofrimento, sob a disciplina do grande sofrimento? [...]

 

Ora, Nietzsche (2005) chama atenção para o fato de que é no sofrimento, nesta dor, na infelicidade e também na ruína que o homem sucumbe para fazer nascer as melhores coisas. Aqui se pode estabelecer um paralelismo com o comentário de Grosrichard (1967) a respeito de Rousseau. Aparentemente tanto Rousseau, quanto Nietzsche sucumbem ainda que de modos diferentes para fazer de sua obra uma provocação capaz de dar vida a si mesma.

A leitura de Rousseau a Nietzsche, ou de Nietzsche a Rousseau que é feita a seguir visa não apenas um paralelismo entre os homens como exposto neste tópico, mas também no quesito da linguagem, e em especial dessa linguagem como uma vontade de dominar mascarada. Ou até então mascarada, pois ambos os pensadores a despem para expô-la tal como é: perversão!

 

II

Há, no entanto um tema que deve ser abordado antes que se passe, de fato, as análises e comparações entre os trechos dos filósofos em relação a problemática da linguagem. Infelizmente, na história da filosofia Rousseau e Nietzsche ficaram marcados por seu antagonismo, em uma aparente redoma cada um impossibilita com suas ideias o estabelecimento de um diálogo de mortos.

Esta visão antagônica, no entanto, para alguns comentadores apresenta-se de maneira preconceituosa, como expõe-se abaixo:

 

Nietzsche e Rousseau são tomados como dois filósofos cujos pensamentos são profundamente antagônicos entre si. Se por um lado essa afirmação encontra eco ao longo de ambos os escritos, por outro lado, não deixa de ser um posicionamento insuficiente e, em muitos casos, visivelmente preconceituoso. Primeiramente, é digno de referência o fato de que não se trata de uma descaracterização da pessoa Rousseau por parte de Nietzsche, uma vez que como registrado pelo filósofo alemão, sua "práxis bélica" compreende o combate contra ideias, e "jamais a pessoas". (Ecce Homo: Por que sou tão sábio, 7). Além disso, trata-se de um combate contra um oponente reconhecidamente triunfante e forte o suficiente para gerar profundo respeito no próprio Nietzsche. No texto Miscelânea de Opiniões e Sentenças de 1879, por exemplo, ele já reconhece o valor que possuía Platão/Rousseau (Humano demasiado Humano II, 480). Como se vê, Nietzsche está ciente da forte influência que Rousseau representa para o pensamento moderno, especialmente como um dos pilares-chave para a compreensão da modernidade decadencial. (VIESENTEINER, 2005, p.31).

 

A luz da compreensão de Viesenteiner (2005), trabalha-se a analogia entre Rousseau e Nietzsche, sendo que por parte do filósofo alemão há um reconhecimento da importância de Rousseau tanto no cenário filosófico de sua época, quanto sua importância dentro da história da tradição filosófica.

Ainda com Viesenteiner (2005) se destacou que Rousseau não é apenas entendido como importante, mas que sobre ele, junto dele ainda que seja em posição contrário em muitos conceitos e ideias, Nietzsche possibilita o desenvolvimento de sua teoria, estabelecendo no escritor francês uma das bases de influência.

É a respeito dessas bases, nas palavras do próprio Nietzsche que se vê a relação citada acima:

Semear e colher nas deficiências pessoais. - Homens como Rousseau sabem utilizar suas fraquezas, lacunas e vícios como adubo para seu talento, por assim dizer. Quando ele lamenta a corrupção e degeneração da sociedade como triste consequência da cultura, isso tem por base a experiência pessoal; a amargura desta proporcionada agudeza à sua condenação geral e envenena as flechas que ele dispara; ele se desoprime inicialmente como indivíduo, e pensa em buscar um remédio que seja útil diretamente à sociedade, mas também indiretamente, por meio dela, a ele próprio. (NIETZSCHE, 2001,  p.294/295, §617).

 

O aforisma acima é inteiro dedicado a Rousseau, ou conforme pode-se dizer ao saber "utilizar suas fraquezas", característica esta que ele aponta na figura do filósofo francês, não como uma crítica, há uma nível de sapiência em saber "semear e colher nas deficiências pessoais" na visão de Nietzsche (2001, p.294/295). A consequência destesemear e colher reflete-se na própria sociedade, ou no homem desta sociedade.

A relação entre Nietzsche e Rousseau a partir da visão do filósofo alemão, todavia não se dá unicamente por este aforisma, em verdade, na breve e limitada pesquisa realizada para a escritura deste artigo constou-se uma referência direta a Rousseau nos aforismas §3, § 17, §163, §427, §459, §481, §499, §538 da obra Aurora: reflexões sobre os preconceitos morais, bem como no § 245 de Além do Bem e do Mal: prelúdio a uma filosofia do futuro, também em §463, §617 de Humano Demasiado Humano: um livro para espíritos livres e ainda no § 91 de A Gaia Ciência. Obviamente as citações a Rousseau não devem se limitar a estes breves encontros expostos aqui.

Apesar do aforisma citado expor uma boa opinião de Nietzsche em relação a Rousseau em um aspecto, em outros isto não se dá. O caráter múltiplo de Rousseau, incomoda o filósofo alemão, ao ponto dele escrever em um aforisma:

 

Contra Rousseau. — Sendo verdadeiro que nossa civilização tem algo deplorável em si, vocês têm a escolha de concluir, com Rousseau, que “essa deplorável civilização é culpada de nossa moralidade ruim”, ou concluir de volta, contra Rousseau, que “nossa boa moralidade é culpada dessa natureza deplorável da civilização. Nossos frágeis, pouco masculinos conceitos sociais de bem e mal, e seu enorme predomínio sobre corpo e alma, afinal enfraqueceram todos os corpos e almas e quebrantaram os homens independentes, autônomos, despreconcebidos, os pilares de uma civilização forte: onde vemos agora a moralidade ruim, encontramos as derradeiras ruínas desses pilares”. Assim, há paradoxo contra paradoxo! É impossível que a verdade esteja em ambos os lados: estará ela em um dos dois? Comprove-se. (NIETZSCHE, 2004, p. 89, §163, grifo nosso).

 

"É impossível que a verdade esteja em ambos os lados: estará ela em um dos dois? Comprove-se." Exclama um Nietzsche (2004, p.89, §163) exaltado e descontente com o filósofo francês que anteriormente servira de exemplo quanto a saber semear, nesta passagem os paradoxos de Rousseau, seu constante jogo de chiaroscuro em suas afirmações desagradam, e Nietzsche não é o primeiro a escrever contra esta característica do autor francês.

No entanto, em sua própria defesa, recuado com pedido semelhante de seus contemporâneos, ao menos uma comprovação do que diz, a realização da escolha de um único lado ao invés de dobrar-se em dois, ao mesmo tempo que se apresenta como uno. Sobre isto o próprio filósofo francês declara:

 

Ousarei expor aqui a maior, a mais importante, a mais útil regra de toda a educação? Não se trata de ganhar tempo, mas de perdê-lo. Leitores vulgares, perdoai meus paradoxos, é preciso cometê-los quando refletimos; e, digam o que disserem, prefiro ser um homem de paradoxos a ser homem de preconceitos. (ROUSSEAU, 1999, p.91).

 

A lume da afirmação de Rousseau (1999) vê-se que ele não é apenas homem de paradoxos, como prefere sê-los pedindo ainda desculpas aos leitores, estas que parecem não terem sido aceitas por Nietzsche em sua leitura, a julgar pela nervura com que o aforisma emerge em Aurora com o título Contra Rousseau.

Ora o que aqui se tenta expor não é um único lado do problema de tentar estabelecer uma relação entre Nietzsche e Rousseau, mas demonstrar também as negatividades e críticas do segundo em relação a seu antecessor, sem que com isso se aprofunde e fuja do tema determinado a priori.

A problematização da questão auxilia um desvelar de nossa própria ingenuidade diante da possibilidade de estender qualquer elo entre ambos. O tópico seguinte volta-se a destrinchar o problema das línguas, mas consciente de que se estabelece em um campo perigoso e frágil, onde as certezas não compõem a paisagem.

 

III

 

O questionamento a respeito da linguagem ou mais precisamente pela origem da linguagem esteve presente por todo o decorrer da história da filosofia, se por vezes foi posta na marginalidade com seus questionamentos em segundo plano, nem por isso ousou desaparecer retornando em seguida de fôlego renovado.

Sobre as trilhas do questionamento a respeito da linguagem, vê-se o excerto abaixo:

A linguagem é um dos grandes temas que provoca uma série de inquietações e discussões entre os filósofos, desde a Grécia Antiga até a Contemporaneidade. Para efeito de contextualização sobre o início da temática da linguagem na Grécia Antiga, podemos citar, de modo geral, a questão que Platão aborda em suas obras, a saber, a “naturalidade” e “convencionalidade” da linguagem. Aristóteles procurou desenvolver uma reflexão sobre linguagem e retórica. Na Idade Moderna, Rousseau produziu um ensaio no qual analisa a origem da linguagem. [...] Nietzsche se apresenta como um filósofo que procura compreender a origem, as características da linguagem, ou seja, retoma a discussão que se iniciou na Grécia Antiga. (SOUSA, 2011, p.14).

 

Na Idade Moderna em pleno século das luzes, Rousseau escreve seu ensaio a respeito da origem das línguas, conforme destacou Souza (2011), obra esta que só viria a público após sua morte em 1778. Nietzsche, tal como Rousseau, dedica-se a estudar o problema da origem das línguas, pois tal como ele não acredita que o estabelecimento tenha se dado por mera convenção. Ainda que abordando o problema sob enfoques diferentes, já que Rousseau se dedica tal como em outras de suas obras a supor um ponto de origem, e dali desenvolver, Nietzsche vai buscar nos gregos o que não consegue encontrar nos contemporâneos e modernos, apontando inclusive o erro de Rousseau.

Tais apontamentos clarificam-se conforme encontramos o enfoque do texto de Rousseau a respeito da linguagem que para Arbousse-Bastide e Machado (1983, p.251) “é a diferenciação das línguas que dá interesse e conteúdo à pesquisa de sua origem. Eis por que o Ensaio se inicia assinalando que a linguagem diferencia o homem entre os seres vivos, enquanto os homens entre si se distinguem pela variedade das línguas. ”

Em Nietzsche o problema da linguagem não se situa neste espaço, embora possa ser encontrado uma ponte estabelecida entre a sua noção e a de Rousseau desenvolvida em outras obras além do Ensaio da O. das L, em verdade para Nietzsche a linguagem “é uma construção humana circunscrita ao âmbito moral e às significações que esta lhe confere” na perspectiva de Souto (2012, p.220).

Não obstante se observa que tanto na filosofia de Rousseau quanto nas ideias de Nietzsche, na interpretação de Nunes (2009, p.16) há uma correspondência, ou mais propriamente uma correlação entre estes autores na medida em que para ambos a linguagem aparece como “um ramo da psicologia social que altera, debilita e entrava a liberdade e a vida. ”

Neste entrave à que Nunes (2009) se refere, pode-se notar que a linguagem não tem apenas a capacidade de dominar ao retirar a liberdade, porém também em certa medida de degradar a própria vida e a convivência social. Chama-se aqui atenção a declaração de Rousseau (2005, p.169) “[...] o homem que medita é um animal depravado. [...]”. Seria ele depravado porque ao meditar já se encontra mergulhado na linguagem? Não poderia Nietzsche concordar nesta altura com Rousseau?

A resposta a tais indagações pode ser encontrada a seguir.

 

IV

 

A linguagem leva a dominação, ou a dominação se esconde por trás da linguagem sem que esta perceba? Seria possível alegar a inocência das palavras, ainda que diante de suas intenções pareça, por vezes, corrompida como os autores demonstram a seguir? Não se sabe, ao menos, não se tem plena certeza.

Em especial referimo-nos a linguagem como cerne do problema aqui desvelado da vontade de dominar que se esconde nas palavras, porém não apenas a linguagem é o recipiente para esconder este impulso, vide o excerto abaixo:

 

Enquanto o governo e as leis suprem à segurança e ao bem-estar dos homens reunidos, as ciências, as letras e as artes, menos despóticas e talvez mais poderosas, estendem guirlandas de flores nas correntes de ferro que eles carregam, sufocam-lhes o sentimento dessa liberdade original para a qual pareciam ter nascido, fazem-nos amar sua escravidão e formam o que chamamos de povos policiados. (ROUSSEAU, 2005, p.12)

 

A lume da exposição de Rousseau (2005, p.12) a linguagem, tal como a arte e as ciências desde seus primórdios se apresentam se não despóticas, ao menos encarregadas de um poder, ou de uma vontade de poder à medida em que “estendem guirlandas de flores nas correntes de ferro que eles carregam”.

Ainda que a linguagem não seja a única culpada pela retirada da liberdade original do homem, ela se faz a principal na medida em que as outras duas vertentes, tanto a arte quanto a ciência dependem das palavras compreensíveis para existirem no mundo, para serem entendidas pelo homem e assim captadas. A linguagem retira a liberdade e mais do isto, ela é capaz de perverter a ponto de que se ame a escravidão vivida, é o acontecimento visto em todas as sociedades.

Alguns comentadores desvelam ainda mais essa exposição do amor da linguagem pela corrupção, pela escravidão, ela não apenas estende as guirlandas de correntes de ferro, ela também degenera, corrompe ao mesmo tempo que corrompe a sociedade:

 

A linguagem degenera, corrompe-se, torna-se discurso abusivo, arma envenenada: o homem, simultaneamente desencaminha-se, comporta-se como enganador e mau. Da mesma maneira que o nascimento da sociedade corresponde à emergência da linguagem, o declínio social corresponde a uma depravação linguística. (STAROBINSKI, 2011, p.417)

 

Starobinski (2011) demonstra em que medida esta teoria da linguagem em Rousseau se relaciona a uma teoria do desencaminhar-se, do engano, do homem que ao fazer nascer a sociedade já se corrompe pela própria palavra, e tanto mais esta palavra se corrompa, mais os homens a acompanham em seus abismos.

Se Rousseau indica o caminho da linguagem como aquela que retira a liberdade dos povos, e Starobiski demostra sua degeneração como princípio básico da própria linguagem, dos homens, para Nietzsche ao exercer a coerção a linguagem nutre-se a si mesma com esta capacidade de outrem retirada:

 

[...] recorde-se sob que coerção toda língua obteve até hoje vigor e liberdade − a coerção métrica, a tirania da rima e do ritmo. [...], mas o fato curioso é de que tudo o que há e houve de liberdade, finura, dança, arrojo e segurança magistral sobre a Terra, seja no próprio pensar, seja no governar, ou no falar e convencer, tanto nas artes como nos costumes, desenvolveu-se graças à “tirania de tais leis arbitrárias” [...]. (NIETZSCHE, 2005, p.76, §188).

 

A linguagem se mantém vigorosa até hoje através da coerção, da liberdade cerceada aponta Nietzsche (2005), mas há aí um detalhe que deve ser pincelado, é em meio a essa escravidão da língua, no centro da tirania por ela causada que nasce a própria civilização ocidental nos moldes que a conhecemos, em sua força. A linguagem é tirana, mas também dela faz brotar a vida, mesmo seja uma vida de “leis arbitrárias”.

E aqui vale acrescentar que a linguagem não é apenas dominação nas artes, na liberdade e nas ciências como cogita Rousseau, ou como supõe Nietzsche em meio a sua alimentação a base de coerção, mas é também a própria filosofia dominação, vontade de poder, ressalta-se a visão nietzschiana sobre a afirmação acima:

 

[...] tão logo uma filosofia começa a acreditar em si mesma. Ela sempre cria o mundo à sua imagem, não consegue evita-lo; filosofia é esse impulso tirânico mesmo, a mais espiritual vontade de poder, de “criação de mundo”, de causa prima [causa primeira]. (NIETZSCHE, 2005, p.15, §9).

 

Para Nietzsche a filosofia na medida em que busca moldar o mundo segundo sua própria vontade, seus próprios padrões é dominação. E uma dominação “mais espiritual”, pois usa apenas elementos linguísticos, jamais físicos, deste modo se pode dizer que filosofia é puramente linguagem. Mas, enquanto linguagem também tal como a filosofia ela não desejaria ser “causa primeira”?

Sobre este desejo de tornar o mundo sua própria imagem, de refletir-se no mundo, aliás ideia para qual a linguagem deixa-se usar com todas as regalias, não poderia ser vista na abertura do segundo discurso rousseauniano?

Ali, o homem ao projetar seus desejos sobre o mundo faz nascer a linguagem e com ela por consequência a dominação e também a desigualdade civil, deste modo não estaria Rousseau em breve concordância com o anteriormente afirmado por Nietzsche sobre a linguagem e a filosofia, serem “criação de mundo”, perversão?

 

O primeiro que, tendo cercado um terreno, atreveu-se a dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas simples o suficiente para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, quantas misérias e horrores não teriam poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, houvesse gritado aos seus semelhantes: “Evitai ouvir esse impostor. Estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não é de ninguém! ” (ROUSSEAU, 2005, p. 203).

 

O instante captado é aquele qual o homem faz nascer a propriedade civil e a desigualdade, contudo muito além disto, o primeiro homem que para Rousseau (2005, p.203) disse “Isto é meu” fez nascer também a linguagem, a dominação e o desejo de dominar, de ser superior uns aos outros. Não estariam todos em semelhante estado até que um fosse capaz de tudo adulterar ao pronunciar tais simples palavras?

Ora, não se pode dizer que aqui a linguagem agiu como “criação de mundo”, e que inevitavelmente foi o abismo de um homem para outro? E desta desigualdade que foi gerada pela linguagem, pelo pronunciamento da individualização, tudo não se tornou desde então vontade de poder? Desigualdade? Sim, basta que se perceba as próprias consequências deste nascimento escritas por Rousseau (2005, p.203) “quantos crimes, guerras, assassínios, quantas misérias e horrores não teriam poupado ao gênero humano...”.

Rousseau, entretanto, não é apenas um marco quanto a instituição da linguagem como dominação, desigualdade e perversão, há ainda um detalhe que aparece implícito na passagem, porém perpassa suas obras unindo-as em uma mesma noção: neste instante, na fundação da sociedade civil a linguagem fez muito mais que instituir as diferenças antinaturais entre os homens, ela foi capaz de permitir que o fraco, o único, subjugasse o forte, a maioria.

Sobre tal afirmação do forte ser subjugado pelo fraco, vide abaixo:

 

Deuses! [...] que linguagem estranha é essa? Que costumes efeminados são esses? Que significam essas estátuas, esses quadros, esses edifícios? Insensatos, o que fizestes? Vós, os senhores das nações, vós vos tornastes os escravos dos homens frívolos que vencestes? São os retóricos que vos governam? (ROUSSEAU, 2005, p.21)

 

A virtude, os bons e fortes são enganados pelos fracos, pelas palavras que preenchem agora as relações dos homens, esta mesma linguagem que é filha da própria degeneração da história humana só é capaz de enganar, de levar a sucumbir os que nela se apoiam. Para Rousseau (2005, p.21) o quadro aparece ainda claro diante desta derrota da indagação de Fabricius acima “Vós, os senhores das nações, vós vos tornastes os escravos dos homens frívolos que vencestes? ”.

A respeito dessa passagem de Fabricius localizada no primeiro discurso rousseauniano, têm-se um importante estudioso do autor que a comenta, deixemo-nos a ele a melhor explicação, conforme vê-se a seguir:

 

O escândalo que arranca gritos de Fabricius é o da força subjugada pela fraqueza, do Vencedor que cai na armadilha ilusória que lhe preparou um Vencido astuto, da virtude que, cega pelo prestígio das palavras, desliza em direção de seu contrário. Apenas a linguagem, seu poder de sedução, é, assim, capaz de inverter o jogo das forças: ela é o próprio lugar da perversão. A vitória de Roma se torna sua decadência porque o “estrangeiro” lhe rouba a palavra e lhe impõe sua linguagem. Estamos a poucas páginas da Genealogia da Moral, em que Nietzsche descreve a astúcia “judaica” que acaba vencendo os Romanos. (PRADO JÚNIOR, 2008, p.113/114).

 

De acordo com Prado Júnior (2008) é no âmbito escorregadio da linguagem que o pender das forças se confunde, o fraco ascende vitorioso e triunfa, não por virtude, mas pela sua sedução, pela sua malandragem em distorcer estas palavras que sabe tão bem para enganar os homens, para fazê-los realizar sua vontade.

E tal apontamento não é unicamente de Fabricius em Rousseau, semelhante ideia reaparece na obra de Nietzsche, quando no jogo de palavras, na moral, os judeus sobrepõem-se aos Romanos quais para o autor era o verdadeiro homem forte.

Assim, traz-se a luz de Nietzsche:

 

[...] foram os judeus que, com apavorante coerência, ousaram inverter a equação de valores aristocrática (bom = nobre = poderoso = belo = feliz = caro aos deuses), e com unhas e dentes (os dentes do ódio mais fundo, o ódio impotente) se apegaram a esta inversão. [...] (NIETZSCHE, 2009, p.23, §7).

“Mas que quer ainda você com ideais mais nobres! Sujeitemo-nos aos fatos: o povo venceu – ou “os escravos”, ou a “plebe”, ou o “rebanho”, ou como quiser chamá-lo − se isto aconteceu graças aos judeus, muito bem! Jamais um povo teve missão maior na história universal. “Os senhores” foram abolidos; a moral do homem comum venceu. [...] (NIETZSCHE, 2009, p.25, §9).

 

A priori se faz necessário destacar que não entraremos na questão da moral nietzschiana, esta requereria para ser explicada outro estudo aprofundado que aqui não cabe, basta que seja captado o que Nietzsche (2009) expressa de modo semelhante ao já apontado por Rousseau: a linguagem triunfou e inverteu os papéis.

Com a retórica, com a máscara das palavras, os fracos Judeus, conseguem segundo Nietzsche (2009, p.40) fazer com que se curvem os Romanos que “eram os fortes e nobres, com jamais existiram mais fortes e nobres, e nem soram sonhados sequer: cada vestígio, cada inscrição deles encanta, se apenas se percebe oo que escreve aquilo”.

Se Nietzsche (2009, p.25) atribui a transvaloração que os judeus realizam nos valores aristocráticos, esta mudança só pode existir no campo da linguagem, é a linguagem que domina, é a retórica que é capaz de perverter, que permite aos menores dominar os grandes, é ela que engana, que veste e auxilia “os escravos”, a “plebe” e o “rebanho” a vencer os mais fortes. Ela, triunfa rechaçando a liberdade, embriagando a virtude, para o filósofo alemão ela triunfa sobretudo abolindo a verdadeira moral.

As divergências tal como as convergências são apresentadas ao mesmo tempo, se Rousseau e Nietzsche vão concordar quanto a esta inversão que a linguagem é capaz de fazer para que os valores se troquem e sucumbam, ela, no entanto dá-se em direções diferentes para ambos, em Nietzsche a discussão remete a uma questão de Senhor e Escravo, para Rousseau é a liberdade o principal destaque diante da perda, as advertências que importam. Em colaboração para formulação da noção acima expressa, destacou-se:

 

O livre discurso da retórica, sintoma de uma alma frívola, é também o elemento propício à perversão: ligados dialeticamente, causa e efeito ao mesmo tempo, a desagregação das virtudes e a desmesura da retórica compõem uma só história. Mas ao contrário de Nietzsche, o diagnóstico dessa decadência não é ligado só pela óptica do Senhor: a própria oposição entre o Senhor e o Escravo só é possível, como o mostra o segundo Discurso, sobre o fundo das astúcias de linguagem, pelo efeito de pequenas frases. (PRADO JÚNIOR, 2008, p.113/114).

 

Prado Júnior (2008, p.113/114) esclarece as posições de Nietzsche e Rousseau, tanto em suas concordâncias, quanto em suas divergências, sobre ambos o que permanece é a linguagem que “propicia à perversão”, é a dialética, a retórica que modifica os homens em interesses de dominação, que os leva em um novo caminho, os desvirtua. E este desvirtuamento causado pela linguagem têm sua própria história.

A crítica de ambos, no entanto, não se difere apenas nos âmbitos em que se realiza, mas também na força, na intensidade com que cada uma se apresenta diante do leitor, as preocupações diferentes entre o filósofo francês e o alemão podem ter contribuído para este fato, mas não impedem uma aproximação tal como exposta.

É importante que se destaque essa diferença na força da crítica de cada um dos autores, não para que se tome um como superior ao outro, porém para que se dispa de lançar as expectativas e os tentar vestir como ansiamos. Sobre a crítica mais vívida e pesada de Nietzsche no problema da linguagem e da retórica como dominação, com cuidado extraiu-se:

 

[...] Nietzsche é sem dúvida mais violento e mais explícito do que qualquer outro, [...] determina como libertação (ou liberdade do pensamento) o movimento pelo qual finalmente se é libertado da linguagem e da gramática. [...] “A lógica é apenas a escravatura nas peias da linguagem. [...] (DERRIDA, 1991, p.216).

 

A luz da compreensão de Derrida (1991, 216) a crítica Nietzschiana ao problema da linguagem como dominação é “mais violento e mais explícito do que qualquer outro” autor, especialmente ao que usamos aqui em diálogo: Rousseau.

O filósofo alemão não somente concentra sua crítica a linguagem, mas também a retórica, a lógica apontando ambas como responsáveis pela castração da liberdade do pensamento, são elas que enquadram, que restringem, que tiram a vida que antes existia, como já expresso outrora é desta liberdade retirada que as próprias palavras se sustentam, aqui esclarece-se ainda mais com a afirmação de Derrida.

O pensamento de Rousseau e Nietzsche e tantos outros filósofos continuará sendo tema de discussão, e retomado quando se trata da linguagem, suas ideias ganham novas abordagens no decorrer da história da filosofia, tal qual a dada por Agamben (2004) que torna mais vívida ainda esta crítica ao relacionar as estruturas de poder e as formas de institucionalização com a linguagem e as ideologias por ela construídas. Por último, em resumo trouxe-se o trecho de Prado Júnior que acreditou-se explicitar as ementas finais que se desejava:

 

A dominação do mais forte, o império da violência é o último termo da História, momento em que a máscara cai e a astúcia não é mais necessária. As palavras se apagam e revelam sua verdade sempre dissimulada: a pura vontade de poder, o exercício já sempre presente da força contra seu primeiro movimento, o uso da Natureza contra a Ordem que a comanda e, na linguagem, em sua mais profunda intimidade, a vontade de se anular como linguagem. (PRADO JÚNIOR, 2008, p.115).

 

O estádio final da linguagem é a completa dominação do mais forte, conforme Prado Júnior (2008), não é preciso que continue se enganado, os fracos venceram, a virtude por fim sucumbiu, a coragem e a astúcia não se apresentam mais como características requeridas por esses novos homens que surgem.

Neste tempo não será mais necessário velar das palavras a sua vontade de poder e dominação, ela já irá se mostrar como sempre o fez para Prado Júnior (2008), no fundo terminará por cumprir sua meta de não somente dominar e restringir, mas também de anular a si mesma. A linguagem será sua própria ruína, mas antes terá transformado os homens e sua comunicação em abismos e violência.

 

V

 

A partir das leituras realizadas concluiu-se que não apenas Rousseau e Nietzsche podem ser colocados lado a lado quando a discussão em pauta é em referência a vontade de poder da linguagem, mas que suas ideias serviram também como base para pensadores contemporâneos entre eles Agamben e Foucault.

Ainda é importante destacar que a própria relação estabelecida entre Rousseau e Nietzsche é um terreno pantanoso, no qual tanto o leitor quanto o comentador precisam revestir-se de cuidados, pois se Rousseau aparece como um dos pilares aos quais Nietzsche se dirige, nem sempre o faz de forma positiva, muitas vezes é contra ele.

Retornando ao problema central, a linguagem nasce em um degenerar, seu próprio aparecer já é sinal do homem que sucumbe, que já apresenta um projeto ainda que silencioso de transvaloração, a virtude derrapa cada vez mais na gramática, na retórica e a lógica perdendo sua essência e sobretudo sua importância, sendo vestido com outros modos e por outros povos.

Rousseau foi capaz de alumiar o caminho para seus sucessores, retomando o pensamento até então e lançando em frente o problema, Nietzsche irá recolher sua flecha e com ela retrabalhar as questões, fornecendo a estas não apenas uma nova apresentação, porém sobretudo completando-as com uma força crítica desconhecida.

A passagem de um a outro, a possibilidade do diálogo se dá na medida em que a relação é trabalhada por aproximações e distanciamentos, reunindo pontos congruentes e divergentes dentro da obra apresentado pelo autor francês e pelo filósofo alemão. Tanto Rousseau quanto Nietzsche são neste caso peças importantes do quebra cabeça a respeito da linguagem.

O breve trabalho, faz-se necessário ressaltar em conclusão que não esgota as possibilidades em torno do tema, tampouco o tem como premissa esta ação, mas sim propõem-se uma breve apresentação desta clareira problemática encontrada entre os dois filósofos, frente a uma indagação antiga do homem: a linguagem, suas origens e suas consequências. E a possível perversão sobre si mesma, e sobre o homem.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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*Laura Elizia Haubert. Graduanda em Filosofia - PUCSP

 

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