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Observador Macroeconômico

Mantendo sempre a direita

 

A Constituição de 88 tentou resgatar o povo brasileiro de séculos de exclusão social e injustiças, porém, manteve vícios institucionais que impedem os avanços por ela preconizados. A estrutura política que levou o país a ter uma das sociedades mais desiguais do planeta, foi mantida intacta pela atual Carta Magna. O processo eleitoral continua com os mesmos vícios que perpetuam as oligarquias de uma forma ou de outra no poder. Sim, de uma forma ou de outra. Em 2002, pela primeira vez na História elegeu-se um presidente não originário das elites e com propostas verdadeiramente transformadoras, que, em princípio, levariam a uma reversão do processo de pauperização de uma parcela crescente da população brasileira. Nada disso porém está sendo levado a cabo. Numa surpreendente guinada ideológica, o presidente eleito e os cardeais de seu partido, negando décadas de discursos, anunciam uma política econômica à direita do F.M.I., perpetuando com sua ortodoxia o modelo concentrador de renda responsável pelo apartheid social em que o país se encontra hoje. O mais surpreendente, mas previsível, é que para dar respaldo a essa política, monta uma coalizão com os partidos que sempre abrigaram os representantes da parte mais retrógrada e conservadora da sociedade. Estarrecedor? Não,

caro leitor, a Constituição “cidadã” de 88, em seus infindáveis artigos e parágrafos, perpetuou no poder uma eterna “república oligárquica”, já que o processo eletivo impede um parlamento verdadeiramente representativo do espectro social, ele induz sempre a predominância de representantes das elites, ou comprometidos com ela.

            Portanto, poderíamos eleger Lenin para presidente que seu governo seria conservador, porque o Congresso sempre é. Sem uma reforma política que mude a estrutura do parlamento, será difícil mudar o país de verdade. Qualquer presidente, com qualquer proposta, terá que compor sempre com um parlamento viciado. O atual, não teve cerimônia, leiloou cargos e ministérios sem pedir atestado de antecedentes. O resultado é um governo Frankstein, que usa de marketing para parecer Alain Delon.

            Para mudarmos efetivamente os rumos do país, temos que colocar no topo da agenda nacional a reforma política, e mobilizar a sociedade civil organizada, pressionando para que o processo eletivo seja finalmente moralizado. Do contrário, o poder nunca mudará efetivamente de mãos. Quanto à brusca mudança ideológica do atual governo, a única explicação é a de que em termos de estelionato eleitoral, o Brasil até as últimas eleições só tinha conhecido amadores.

Valter Pereira Appas

Professor de História,

Geopolítica e Economia

 

 

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Sandro Cozza Sayão

Doutor em Filosofia – PUCRS; Mestre em Filosofia – PUCRS

Mestre em Educação Ambiental – FURG; Professor Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco; Professor do Programa de Pós Graduação Mestrado/UFPE; Membro da Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Câmara; Membro do Núcleo de Ciência e Cultura de Paz da UFPE

 

Não há dúvida que nosso tempo é singular e porque não dizer frágil. A esperança de um mundo mais digno e ético e a idealização de uma sociedade mais justa baseada no progresso científico, econômico e tecnológico, não mais se sustentam e isso nos leva a um interim,

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